Pentecostes é o aniversário da Igreja? Sob certo aspecto,
sim. A primeira comunidade tinha sido reunida por Jesus durante a sua
vida. Mas o que foi tão decisivo na data de Pentecostes, depois de sua
morte e ressurreição, é que aí começou a proclamação ao mundo inteiro da
Salvação em Jesus Cristo, morto e ressuscitado.
Para os antigos judeus,
Pentecostes era o aniversário da proclamação da lei no Monte Sinai:
esta proclamação constituiu, por assim dizer, Israel como povo, deu-lhe
uma “constituição”. De modo semelhante, quando os apóstolos proclamam no
dia de Pentecostes a salvação em Jesus Cristo, é constituído o novo
povo de Deus. Não só Israel, mas todos os povos são agora alcançados,
cada um em sua própria língua.
Até hoje, a Igreja continua procurando alcançar todos os povos,
grupos, classes e raças, numa linguagem que os atinja. Não
necessariamente na linguagem que lhes agrade! Aos pobres, terá que falar
uma linguagem de carinho e animação; aos ricos, uma linguagem
provocadora, para descongelar seu coração. Mas, de qualquer modo, a
todos ela deverá explicar na linguagem adequada – que na conversão a
Cristo se encontra a salvação.
O verdadeiro milagre das línguas não consiste em dizer “Aleluia” em
todas as línguas, mas em falar com clareza para todos os povos, raças e
classes. Os diversos dons do Espírito Santo, servem exatamente para isto: para atingir as pessoas de todas as
maneiras, para sermos profetas da Nova Aliança, selada por Cristo em seu
próprio sangue e agora publicada para o mundo sob o impulso de seu
Espírito.
Como Moisés e os setenta anciãos no Sinai se tornaram
porta-vozes de Deus e da antiga Aliança (*), assim agora, a partir de
Pentecostes, a Igreja deve tornar-se toda profética, denunciando o que
está errado e anunciando a salvação que está na fraternidade e na
comunhão que Jesus veio instaurar. Assim, o Espírito de Deus renovará,
pela Igreja, a face da terra.
(*) Lembra uma antiga lenda judaica, que conta como, no Sinai, a
proclamação da Lei teria sido confiada aos setenta anciãos, em setenta
línguas (só que agora os setenta anciãos são os doze apóstolos).
Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
www.franciscanos.org.br

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